INÍCIO / Curadoria

QUEM FAZ O FESTIVAL

CURADORIA

CURADOR-CHEFE

CINEASTA · PRODUTOR · ECA/USP

Prof. Dr. Rubens Rewald

Cineasta, produtor e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, responsável pela curadoria do festival. Conduz a seleção das mostras competitiva e não-competitiva, equilibrando consagrados e novos talentos do cinema sul-coreano e brasileiro.

O cinema sul-coreano consolidou-se globalmente ao tratar as transformações nem sempre plácidas em seu país, causadas por uma modernização rápida e pelo avanço de um ultracapitalismo. Obras de diretores aclamados como Bong Joon-ho, Park Chan-wook e Lee Chang-dong utilizam gêneros como o suspense, o humor ácido e o drama familiar para dissecar temas como a desigualdade de classes, a burocracia institucional e o isolamento urbano. Nesses universos, o indivíduo se vê tensionado por um sistema onde a promessa de prosperidade enfrenta uma realidade de confrontos, dívidas e questões éticas. O conflito central dessas narrativas nasce, invariavelmente, da luta de pessoas comuns para sobreviverem em uma sociedade altamente competitiva.

Os filmes coreanos mais recentes já lidam de forma mais consciente com essa realidade, afinal tal cenário já não é mais uma novidade. E, nesse contexto, as opções individuais ganham um novo contorno. Para ascender socialmente ou financeiramente, até onde o indivíduo pode ir? Vale a pena abrir mão de limites éticos para conseguir o sucesso profissional ou pessoal? O que significa de fato esse sucesso? Portanto, estamos num novo momento, não mais de perplexidade em relação às rápidas mudanças que a sociedade sul-coreana atravessou, mas de reflexão sobre como lidar individualmente e coletivamente com essas transformações. Emergem questões como: Qual é o meu lugar? Até onde posso ir? Qual o meu papel em minha família? Em minha cidade? Que caminho quero seguir?

Essa mudança reflete uma sociedade em que as pessoas possuem mais possibilidades de escolha e valorizam cada vez mais a sua autonomia. Nesse contexto, surge o compromisso do indivíduo consigo mesmo, não como uma obrigação, mas como uma intenção. Uma escolha, um caminho escolhido para ser trilhado pelo indivíduo. Vemos assim, serem produzidos filmes sul-coreanos que dialogam com esse novo momento. Filmes que trazem a marca da ambiguidade e sutileza e não mais a crueza e perplexidade da geração anterior. Filmes que aprofundam as escolhas e compromissos firmados por seus personagens.

Prof. Dr. Rubens Rewald Curador | Korean Film Festival – KOFF